N.2 Repente Deboche

Deboche
(produção coletiva)
Vamos olhar para a cara desse lugar e debochar?
Vamos fingir que estamos no paraíso?
Se sentir fome, coma.
Se na hora da bóia nenhuma companheira te empurrar
Outra chance não terá.
A água do meu banho nunca vai esquentar
E se a água chegar
Reclamar nem pensar
se o plantão escutar…
Oh, Oh é salsicha, ovo ou linguiça?
Como é incômodo pensar bem
Como é incômodo respirar
Mas é difícil respirar bem
E os percevejos nos faz alegrar
E de vez em sempre chorar
E na saidinha se alegrar
Ah, se pensar vou vender pão
E se o trigo aumentar?
Se pensar não vou concretizar
Quando a tensão terminar, esse dia há de chegar
Tem que sentar e esperar
E se o juiz autorizar e se a guarda não te arrastar
E a tão sonhada liberdade pode chegar
E pra finalizar
Tudo isso um dia vai acabar
Se o alvará chegar a liberdade vai cantar.

PROJETO LEITURA LIBERTA

CPP Butantã-SP

Facilitadores:

Wally, Osmar e Nicole.

 

 

 

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Cria do Governo

Cria do Governo

Em sua vida nada é normal
Ser prisioneiro após o parto natural
Ao chegar neste mundo há um tempo
Já estava predestinado A um grande sofrimento
Esqueceram que essa vida era uma criança
Sem culpa nenhuma lhe tiraram a esperança
Esse mundo real não lhe reconhece
É de se falar isso nunca se esquece
Sem ter direito ao que comer vestir e onde morar
Sobrando o Orfanato como seu futuro lar
A fuga é sua meta tá consciente
Não quer mais ser torturado por essa gente
Ainda criança conseguiu escapar
Teve que encontrar como se adaptar
As pessoas não lhe enchergavam nas ruas
Mesmo tendo que dormir em calçadas nuas
Lá naquele mundão não quiz andar maltrapilho
Muito menos dormir no chão Ele tinha estilo.
Na falta de opção
Ele então virou ladrão

Refrão : Cria do Governo isso não é normal
Cria do Governo também não é natural
Cria do Governo não tem vez
Cria do Governo vai viver num xadrez

Ele estava tão sozinho sem sentido na vida
De alguma forma procurando uma saída
Saída que encontrou der repente a volta é triste
Foi se envolver na vida do crime
Se arrepende do passado nada glorioso
É que o futuro para Ele vai ser muito doloroso
Sua atitude foi demais e constante
Ajuntou com a apetite que lhe foi o bastante
Chegou a pensar no tanto fez tanto faz esquecendo as vezes o caminho da paz
Obviamente registrando tudo que os olhos não vê
Ele foi preso e torturado e ninguém vai perceber
Vai estar numa situação um tanto ridícula
Seu nome hoje em dia ja é sua matrícula

Refrão
Muitos anos se passou até que Ele sentiu
A pena que lhe impuseram Ele a cumpriu
Não fez falcatruas no INSS
Muito menos esparramou a peste
Não desviou verba pública da Nação
Não matou 111 ladrão
Na prisão batalhou e aprendeu oque não sabia
Trabalhou com afinco para obter laborterapia
Passou o tempo Ele estudou e leu livros de Reis
Hoje com outra visão respeita muito mais as Leis
Se seu crime é claro pra justiça pouco importa
Esta no rol dos culpados isso não se aposta
Se entrou na onda do bumerangue
Foi e voltou sem derramar nenhum sangue
Só pede a DEUS para lhi proteger
Da justiça cega e deste seu poder
Que lhe fizeram viver vários anos atrás das grades
A sua pena ele cumpriu na integridade
Hoje é um rapper e quer viver em liberdade
Tudo que precisa é parar de ser modelo
E deixar um dia de ser CRIA DO GOVERNO

Autor: Kric

N.1

PROJETO LEITURA LIBERTA

CPP Butantã-SP

“Princesa, redentora Isabel, o fim da escravatura até hoje não se fez, ó criatura! Exclusão econômica, discriminação sem igual, ainda hoje, essa tal alforria não nos deu o direito de igualdade e cidadania. Cadê a tão sonhada liberdade, e a tão prometida igualdade social? ”

Maria da Graça Bergamini Gusmão. Volta Redonda-RJ Mundo Jovem Poema negro

Livro: MARIA e as Marias nos cárceres MULHERES ATRÁS DAS GRADES. Editora PAULUS Pastoral Carcerária.